Inclusão Financeira No Leste De Angola Avança,
Mas Desafios Persistem

30 janeiro, 2026

Foto 2

O Banco Nacional de Angola (BNA) tem intensificado os esforços para promover a inclusão financeira, com especial enfoque nas regiões do interior do país. A aprovação da Estratégia Nacional de Inclusão Financeira (ENIF) 2025 - 2027 e a realização do Ciclo de Conferências sobre Instrumentos de Financiamento à Economia e Meios Alternativos de Pagamento são exemplos concretos desse compromisso, visando integrar cidadãos bancarizados e não bancarizados na economia formal.

 

No âmbito dessas iniciativas, uma comitiva liderada pelo BNA, com participação da EMIS - Empresa Interbancária de Serviços, S.A., e outras entidades do sistema financeiro, percorreu a Região Leste de Angola no período compreendido entre 10 a 18 de Dezembro 2025, abrangendo as províncias da Lunda-Norte, Moxico Leste e Moxico. As conferências permitiram levar informação sobre financiamento, pagamentos digitais, segurança e literacia financeira as comunidades marcadas por fraca presença bancária, escassez de Caixas Automáticos e forte dependência do numerário.

 

Durante os encontros, a EMIS destacou o papel do KWiK, instrumento de pagamento instantâneo que promove a interoperabilidade entre bancos, carteiras digitais e agentes económicos, permitindo transferências e pagamentos rápidos, seguros e acessíveis.

A iniciativa permitiu igualmente à EMIS reforçar o seu posicionamento institucional e aproximar-se das comunidades locais e dos agentes económicos.  

 

Em zonas como o Luau e outras regiões recônditas, onde a rede bancária é limitada, o KWiK surge como alternativa viável e ou sucedâneo do Cartão MULTICAIXA para reduzir filas, mitigar a falta de numerário e aproximar a população dos serviços financeiros formais.

 

Apesar dos avanços, sobretudo no desenvolvimento de um Sistema de Gestão de Cartões MULTICAIXA tecnologicamente evoluído e robusto, os desafios permanecem evidentes: fraca capilaridade das comunicações, reduzido número de agentes bancários, baixa literacia financeira e digital e limitada presença de infraestruturas de pagamento.

 

A inclusão financeira exige, por isso, um esforço multissetorial contínuo, que passe pela formalização da economia, educação financeira nas escolas, expansão das telecomunicações, criação de pontos comunitários de apoio e massificação de agentes bancários e carteiras digitais com soluções de cash out (dispensação de moeda).

 

Neste contexto, o KWiK posiciona-se como uma das principais respostas para o futuro dos pagamentos em Angola, ao permitir a convergência entre o mundo bancário e não bancário. A sua adopção alargada, aliada à integração de programas sociais do Estado, como o Kwenda, e ao pagamento de salários e subsídios em zonas remotas, pode acelerar a democratização da economia digital e reduzir desigualdades no acesso aos serviços financeiros.

 

O desafio não é fácil, mas a vontade de trabalho contínuo, aliada às sinergias entre os sectores público e privado, pode tornar a universalização dos pagamentos instantâneos no contexto nacional uma realidade a médio prazo.